Gestão de tecnologia Guia 5 min de leitura
Por onde começar a organizar a tecnologia da empresa: 5 perguntas para o dono responder
Por Cristhian Schmidtke ·
Você sente que a tecnologia da sua empresa poderia funcionar melhor, mas não sabe nem por onde começar a mexer?
Isso acontece em muitas empresas pequenas e médias. Os sistemas foram chegando aos poucos, cada um por um motivo, e hoje ninguém tem o desenho completo. Aí a vontade é resolver comprando mais uma ferramenta. Quase sempre é o caminho mais caro.
Em resumo: antes de contratar qualquer coisa, responda cinco perguntas por escrito: o que está travando, quanto isso custa, o que a empresa já tem, quem decide e quem cuida, e como você vai saber que melhorou. Se você não consegue responder, a ferramenta nova ainda não é o próximo passo. O próximo passo é o diagnóstico.

O que exatamente está travando o negócio hoje?
Comece pelo problema, não pela solução. “Preciso de um sistema melhor” não é um problema. “A equipe perde meia hora por dia procurando informação de cliente” é.
Escreva o problema em uma frase, com um exemplo real da semana passada. Se vierem vários, escolha um. É o que chamamos de problema específico: quando ele é claro, a escolha da ferramenta fica quase óbvia. Quando é vago, qualquer proposta parece servir.
Quem sofre com isso, e quanto custa?
Todo problema de tecnologia tem custo, mesmo que ele não apareça na fatura. Pense em três lugares:
- Tempo: quanto tempo a equipe gasta refazendo, procurando ou esperando?
- Dinheiro que escapa: venda que não voltou, cobrança esquecida, compra feita tarde.
- Cliente: o que ele percebe de atraso, de erro ou de falta de resposta?
Não precisa de planilha complexa. Uma estimativa honesta, escrita, já ajuda a decidir se vale resolver agora ou depois. É o contrário de decidir tecnologia no feeling.
O que a empresa já tem e não está usando?
Antes de comprar, faça o inventário do que existe. Muita empresa paga por recurso que já tem e ninguém liga. Liste:
- Sistemas e aplicativos em uso, e quem usa cada um.
- Licenças e assinaturas pagas, com a data de renovação.
- Acessos e senhas de administrador: quem tem, e onde estão guardados.
- Itens com vencimento, como o certificado digital.
Esse inventário é uma lista simples. O que parece detalhe, como saber quem é o administrador de cada sistema, costuma ser o que mais custa quando falta.
Quem decide e quem cuida?
Tecnologia sem dono vira problema de todos e responsabilidade de ninguém. Defina duas pessoas, que podem ser a mesma em empresa pequena:
- Quem decide: aprova a compra, escolhe a prioridade e responde pelo resultado.
- Quem cuida: acompanha o dia a dia, fala com o fornecedor e avisa quando algo muda.
Se a resposta hoje é “o fornecedor” ou “o rapaz que ajuda a gente”, vale pensar duas vezes. O fornecedor pode executar, mas a decisão sobre o que a empresa precisa tem que ficar com a empresa.
Como vamos saber que melhorou?
Esta é a pergunta que quase ninguém faz, e a que mais separa um projeto que dá resultado de um que só gasta dinheiro. Antes de começar, defina o que vai mudar e como você vai perceber.
Pode ser simples: “a equipe deixa de perguntar o mesmo dado três vezes por dia” ou “a cobrança sai no dia certo sem ninguém lembrar”. Combine uma data para olhar de novo, por exemplo 60 dias. Se não mudou, o problema, a ferramenta ou o uso precisa ser revisto.
Como fazer isso em uma semana?
Não precisa parar a empresa. Um ritmo possível para o dono, com 20 a 30 minutos por dia:
- Segunda: escreva o problema específico em uma frase, com um exemplo da semana passada.
- Terça: estime o custo em tempo, dinheiro e cliente.
- Quarta: faça o inventário de sistemas, licenças, acessos e vencimentos.
- Quinta: defina quem decide e quem cuida.
- Sexta: escreva como vai perceber a melhora e marque a data para olhar de novo.
Ao fim da semana, você tem uma página que serve para qualquer conversa com fornecedor, com contador ou conosco.
E depois das cinco respostas, o que fazer?
Com as respostas escritas, você consegue priorizar. É um critério nosso, não uma regra de norma:
- Primeiro, o que repete todo dia e consome tempo da equipe.
- Depois, o que traz risco, como acesso sem controle, dados sem cópia ou vencimento sem responsável.
- Por último, o que é melhoria desejável, mas que a empresa vive bem sem agora.
Se as respostas ainda estão confusas, ou se falta alguém para conduzir, é aí que o diagnóstico ajuda. Veja mais no artigo Diagnóstico antes da ferramenta.
Quando vale pedir ajuda?
Quando o dono não tem tempo de fazer o levantamento, quando há vários sistemas sem ninguém que entenda o conjunto ou quando uma decisão grande de compra está próxima. O nosso trabalho na Amex é ajudar empresários a conduzir e organizar a tecnologia da empresa: entender o negócio, apontar prioridades, orientar a decisão e acompanhar se a tecnologia está atendendo a necessidade real.
Você já parou para pensar…
…qual das cinco perguntas você hoje não consegue responder? E se alguém perguntasse agora qual é o principal problema de tecnologia da sua empresa, você diria uma frase só?
Se quiser conversar, fale com a Amex no WhatsApp e conte qual é o seu principal desafio hoje. Para entender como decidir antes de contratar, leia também Antes de contratar qualquer tecnologia, responda esta pergunta.

Cristhian Schmidtke é fundador da Amex Gestão, em Ponta Grossa/PR. Formado em Sistemas de Informação, pós-graduado em Governança de TI e cursando MBA em Inteligência Artificial, reúne 25 anos de experiência em tecnologia e a transformou em uma metodologia própria, o Método Dominus. Membro da ATPG e Golden Member do BNI. Seu foco: simplificar a gestão, ampliar o controle e impulsionar resultados.
